27.10.04

Vó Maria

Minha bisa grande, por parte de avô paterno. Rosto grande, orelhas grandes, mãos grandes. Pelo menos é assim que me lembro dela. Professora, muitos filhos e duas filhas, trouxe todos para Sampa, para que estudassem. Adorava essa cidade e virou são paulina (ai, ai, ai...). O marido, dentista, morreu de tombo da cama. Dela me lembro do sagu, absoluto, das visitas que fazíamos e nas quais assitíamos à tevê, da cadeira de balanço na qual sempre se sentava e das colchas de crochê coloridas que iam tomando conta do seu colo. Começou a viajar pelo mundo com 60 e dizia que nunca era tarde pra começar nada. Minha coleção do Monteiro Lobato, ganhei dela. Foi operada da vesícula, eu acho, e acabou pegando uma infecção hospitalar. Pouco antes de morrer se sentiu muito mal. Minha tia-avó, Ita, já ia correr pra chamar a ambulância, mas ela disse que não precisava: tava na hora. Na minha última visita ela já tava bem doente, mas fez minha tia ajudá-la a sair da cama e a se sentar na cadeira de balanço: era assim que ela queria que a gente lembrasse dela. Funcionou, Vó!

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

É, Gabriela, funcionou mesmo! Quanta poesia de herança! Valeu! moacyr (www.amalgamar.com.br/blog)

9:30 AM  
Blogger Gabriela said...

Êita, Moacyr, obrigada pela visita e pelo elogio!
:)

9:47 AM  

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